EMILSON ALANO DE CARVALHO
Panegírico
Superar é preciso. Seguir em frente é essencial. Olhar para trás é perda de tempo. Essas são frase atribuídas à escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Portanto, aproveitemos cada minuto, porque o tempo não volta. O que volta é a vontade de voltar no tempo.
Antes de prosseguir, quero agradecer ao Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. Ele, além do sopro da vida nos oferece proteção, orientação e a oportunidade de vivermos e convivermos. Minha gratidão aos meus familiares e amigos, incluindo aqueles que já partiram para o orbe celestial. Também, por oportuno, manifesto meu reconhecimento especial aos irmãos e amigos pela indicação para que eu integre a Acadêmica Catarinense de Letras Maçônicas. Assim, sou grato pelo convite e pela honrosa recepção dos confrades desta distinta Academia.
Contudo, ao ser informado de que assumiria a cadeira nº 3, cujo patrono é Elpídio Barbosa, de imediato interessei-me por melhor conhecer sua história e obra, assim como procurei identificar pontos de consonância ou afinidade. Portanto, comecei por perguntar: quem foi Elpídio Barbosa?
Ao pesquisar, vi que ele é um catarinense natural de Florianópolis, filho de João de Oliveira Barbosa e de Jenny Kumm Barbosa. Foi educador, advogado, gestor educacional, político catarinense e maçom. Na UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) exerceu o cargo de Reitor e, no governo estadual, o cargo de Secretário da Educação, entre outras funções desempenhadas na área da educação. Nasceu em 2 de setembro de 1909 e faleceu em 16 de outubro de 1966. Além de profissionalmente exercer o magistério e outras funções técnicas no segmento da Educação e do Direito, na política integrou os quadros do Partido Social Democrático (PSD), inclusive exercendo mandato eletivo.
Na sua caminhada acadêmica realizou os estudos primários no Colégio Coração de Jesus e o curso ginasial no Colégio Catarinense, concluído em 1928, que possibilitava o exercício do magistério, ambos em Florianópolis. Ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em Curitiba, enquanto exercia o magistério no norte de Santa Catarina, onde prestava o chamado “exame vago”, realizado durante as férias escolares. Formou-se também em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito de Santa Catarina, em 1938.
Na área educacional, desempenhou as funções de Diretor do Grupo Escolar Professor Luís Neves, em Mafra/SC; Diretor do Grupo Escolar Professor Joaquim Santiago, em Joinville/SC; Inspetor Escolar (1931-1934); Inspetor Geral do Ensino Normal (1950); Orientador Pedagógico do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Santa Catarina (1955); Professor do Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis/SC; Diretor e professor da Escola Técnica de Comércio de Santa Catarina (1955-1957); e Chefe do Departamento de Ciências Jurídicas da Faculdade de Ciências Econômicas de Santa Catarina (1955-1958).
No Departamento de Educação do Estado de Santa Catarina atuou nos cargos de Subdiretor Técnico (1935-1940), Consultor Técnico (1942) e Diretor Geral (1940-1951). Em 1957, foi membro do Conselho Diretor na fundação da Universidade de Santa Catarina, atual Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e, também, exerceu o cargo de Secretário Estadual de Educação (1963-1964).
Elpídio Barbosa, além de professor, político e intelectual/mediador, atuou de forma ativa no delineamento e configuração de projetos educacionais em Santa Catarina, desde a década de 1940. Os documentos, decretos e leis preservados por ele são parte da história e memória da educação brasileira, reunindo um acervo de aproximadamente 170 exemplares bibliográficos, segundo pesquisa da Prof.ª Dra. Maria Teresa Santos Cunha (Departamento de História /FAED/UDESC).
Por intermédio do projeto de pesquisa intitulado “Do traçado manual ao registro digital: o acervo pessoal e profissional do professor Elpídio Barbosa (1909-1966): dimensões e possibilidades’’, realizado pela Profª Drª Maria Teresa Santos Cunha, foi analisado o contexto educacional das décadas de 1930 e 1940, com base no acervo mantido no Instituto de Documentação e Investigação em Ciências Humanas (IDCH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), trazendo significativos resultados científicos e culturais.
A pesquisa promoveu a digitalização dos valiosos documentos e evidenciou que devido às funções exercidas pelo Prof. Elpídio e à riqueza documental por ele deixada, o seu arquivo pessoal apresenta parte relevante da história educacional e cultural de Santa Catarina, com enfoque na ‘’Escola Nova’’, período de profundas mudanças na educação brasileira, com base na implantação do Estado Novo. A trajetória de vida do Prof. Elpídio acompanhou e registrou essas profundas transformações do Estado brasileiro, bem como do sistema de ensino.
Exatamente por sua profícua jornada de mais de 20 anos nos cargos administrativos da educação e em homenagem ao educador e 1º presidente do Conselho Estadual de Educação (1962 a 1966), em 1992 foi criado o “Prêmio Elpídio Barbosa de Educação”, voltado ao segmento da educação catarinense, concedido anualmente aos educadores em Santa Catarina.
Conforme mencionado anteriormente, além da importante contribuição e trabalho para a educação, o Professor Barbosa, assinala sua participação na política partidária catarinense, inclusive, exercendo o cargo de Deputado Estadual no mandato de 1950-1955 pelo PSD – Partido Social Democrático. No parlamento, continuou como defensor das causas educacionais. De fato, no dizer da Profª Drª Maria Teresa, Elpídio Barbosa não deixou de ser um educador para ser político, ao contrário, já era um político quando ainda ocupava os cargos no setor educacional.
Na ordem maçônica, escassos registros apontam que o saudoso Irmão Elpídio Barbosa, em março de 1949, foi eleito Venerável Mestre provisório da Loja Januário Corte, marcando a chegada em solo catarinense da maçonaria Adonhiramita. Essa Loja, juntamente com ARLS Regeneração Catarinense (REAA) e ARLS Ordem e Trabalho (rito moderno), cumprindo a Constituição do GOB (três lojas e ritos distintos) fundaram o Grande Oriente Estadual em 12 de abril de 1950. Também consta que Barbosa foi deputado estadual na PAEL/SC, nos corpos filosóficos atingiu ao grau 30 e exerceu o cargo de Grão-Mestre Adjunto, na gestão do Grão-Mestre no exercício do Irmão Manoel Galdino Vieira, mandato de 1955-1958.
Assim, após pesquisar e conhecer mais sobre a vida e a obra do patrono da cadeira nº 3 da Academia Catarinense Maçônica de Letras, permito-me traçar alguns pontos de identidade com sua trajetória. Primeiramente, por sua dedicação à educação, pois sou professor universitário. No aspecto político, embora não tenha me submetido à eleição para cargos públicos, tenho dedicado cuidado e atenção no acompanhamento dos movimentos políticos do município, do Estado e do País, por entender que isto é parte fundamental da nossa vida social e cidadã. E, por último, acredito que um ponto forte de correspondência seja a dedicação, como maçom, às causas defendidas pela ordem maçônica e o compartilhamento da pedagogia maçônica de busca da verdade e aperfeiçoamento do Homem no caminho da perfeição. Se não houvesse nenhuma outra correspondência, penso que esta já seria suficiente para que eu honre o nome do patrono da cadeira n. 3, que passarei a ocupar com respeito e distinção.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SÍTIOS ELETRÔNICOS
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