FERNANDO RODRIGUES DE MENEZES
Membro Efetivo
FERNANDO RODRIGUES DE MENEZES
Cadeira: Cadeira 25
Vínculo: LOJA CMT LARA RIBAS, NR 3055. - Oriente de FLORIANÓPOLIS
Panegírico
CEL ANTÔNIO DE LARA RIBAS.
POR FERNANDO RODRIGUES DE MENEZES
Inicialmente, gostaria de fazer um breve relato da minha Vida Maçônica, que me fizeram chegar até a presente data, exercendo diversos cargos e funções dentro do Grande Oriente do Brasil – Santa Catarina e da Maçonaria Catarinense.
No dia 24 de Julho de 1999, fui iniciado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Comandante Lara Ribas, número 3055, no Grau de Aprendiz Maçom, no Oriente de Florianópolis, do Grande Oriente do Brasil – Santa Catarina, GOB-SC, em cerimônia, de iniciação realizada no Templo da Benemérita, Augusta e Respeitável Loja Simbólica Regeneração Catarinense, número 138, a Loja Simbólica mais antiga em plena atividade em nosso Estado, pela qual tenho profundo respeito e admiração considerando a Loja Mãe de nossa Oficina, juntamente com mais oito profanos.
Nossa Loja estava caminhando os seus primeiros passos e o seu primeiro Venerável Mestre, o Ir ∴ Júlio Doin Vieira acabara de passar o malhete do Trono de Salomão ao Ir ∴ Edgard Kampcke Pereira, que me iniciou nos Augustos Mistérios da Arte Real.
A Loja Cmt Lara Ribas, no início de sua Fundação, foi constituída em sua maioria por Oficiais da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina e por irmãos oriundos da Assembleia Legislativa do nosso Estado.
A partir deste dia, comecei a minha caminhada nos Augustos Mistérios da Arte Real, sendo elevado a Companheiro em 20 de outubro de 2000; a Mestre Maçom no dia 27 de julho de 2001, e a mestre instalado no dia 19 de junho de 2009, tudo na Loja Comandante Lara Ribas.
Logo em seguida, já no ano de 2004, decorrido o prazo de seis meses, interstício mínimo necessário, fui iniciado pelas mãos do querido irmão Gerson dos Santos, no Grau 4, na Augusta Loja de Perfeição Florisbelo Silva, iniciando assim, a minha caminhada nos Graus Filosóficos do Supremo Conselho do Brasil para o Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito.
No dia 27 de novembro de 2010, fui elevado ao Grau 33, Grande Inspetor Geral da Ordem, do Supremo Conselho do Brasil para o Grau 33, do R∴E∴A∴A∴.
Na Loja Comandante Lara Ribas, assumi pela primeira vez o Trono de Salomão, no período de 19 de junho de 2009 a 18 de junho de 2010, sendo reeleito para o período de 19 de junho de 2023 a 17 de junho de 2024.
Nesta data, portanto hoje, com o beneplácito de diversos irmãos, onde destaco os nomes dos irmãos Edy Genovez Luft, Walmor Backes e Márcio Luis Pereira, passo a integrar o seleto quadro de membros da Academia Maçônica de Letras, com certeza uma grande honra para este que vos fala.
Durante os meus anos de atividade na Loja Cmt Lara Ribas e na Maçonaria Catarinense, sempre procurei me pautar pelo exemplo, dedicação, esmero, assiduidade, compromisso e demais atributos espelhados pelo nosso Cel Antônio de Lara Ribas, Patrono da minha querida Loja Maçônica Cmt Lara Ribas, número 3055.
Todos estes acontecimentos, me levam a falar nesta noite, da Vida Civil, Militar e Maçônica do Cmt Lara Ribas, bem como da Loja Cmt Lara Ribas, fundada no dia 06 de maio de 1997, para enaltecer e não deixar cair no esquecimento, tão insigne figura e seu incomparável legado para todos os maçons catarinenses, para todo cidadão de bem deste pujante Estado e do Brasil.
Desde os meus primeiros passos na Maçonaria Catarinense, através do Grande Oriente do Estado de Santa Catarina – GOESC, atualmente Grande Oriente do Brasil – Santa Catarina, ouvia muito falar do nosso Patrono, o Cel e Ir ∴ Antônio de Lara Ribas, da sua Vida Maçônica, no entanto, poucas eram as fontes escritas e históricas desta passagem do Cmt Lara Ribas pela Maçonaria Catarinense.
Na condição de oficial da Polícia Militar, tinha pleno conhecimento da vida militar do nosso mais querido e exemplo de vida profana e militar do nosso Comandante Geral no decorrer de dois Comandos distintos, fato não comum, na História da nossa briosa Corporação.
Foram muitas as vezes, que li e reli o livro escrito pelo Cel da Reserva não Remunerada e Juiz Auditor Drº Edmundo José de Bastos Júnior, “Coronel Lara Ribas, PMSC, O Homem, A Carreira e o Símbolo”.
O livro contava sua vida e a saga passada pelo Cel Lara Ribas, desde o seu nascimento nas cercanias da atual sede do Município de Palmas, no Estado do Paraná, ocorrido em 25 de outubro de 1902.
De batismo, recebeu o nome de Antônio, primeiro de catorze filhos, sete homens e sete mulheres, de Constantino de Oliveira Ribas e sua mulher Querubina de Lara Ribas, dados e fatos descritos no livro do Drº Edmundo José de Bastos Júnior, até a sua assunção e posse no Comando da Polícia Militar Catarinense e não poderia neste dia tão significativo para a minha vida, deixar de retratar um pouco de um dos seus mais importantes biógrafos, o Coronel Edmundo José de Bastos Júnior, para trazer a lume, um breve retrospecto da vida deste nosso homenageado, do qual tenho a subida honra de ocupar a partir de hoje, a Cadeira de número 25, da Academia Maçônica de Letras, Cadeira até esta data, não ocupada anteriormente e que por beneplácito dos membros da Academia Maçônica de Letras de Santa Catarina, passo a ocupar.
“Antônio de Lara Ribas, nasceu em Palmas, no Paraná, em 25 de outubro de 1902. Por direito, era catarinense, já que aquela região pertencia a nosso Estado, conforme tríplice decisão do Supremo Tribunal Federal, embora contestada pelo Estado vizinho, que teve a posse em acordo mediado pelo Presidente Wenceslau Braz.
Cresceu convivendo com movimentos políticos tendentes à modernidade, à regeneração de práticas obsoletas, numa visão renovadora da administração pública, da política, dos direitos, que passa pelas revoluções tenentistas de 1922 os 18 do Forte e de 1925 o 2º 5 de julho e culmina com a queda da República Velha, em 1930.
Justamente em 1924 alista se como voluntário dentre os "patriotas" no Batalhão da Força Pública Catarinense, com base em Porto União, que realizava operações no Alto Paraná, sob o comando do então Capitão Pedro Lopes Vieira. Vencidos os rebeldes, que originaram a Coluna Prestes, os voluntários foram dispensados.
Lara Ribas, ao invés da dispensa, foi convidado por Lopes Vieira, que iria assumir, em seguida, o Comando da Corporação, e que exerceu marcada influência na sua carreira, para incorporar na milícia catarinense.
Convite aceito e desembarca o nosso herói em Florianópolis, com o 2º Batalhão de Infantaria, em 13 de junho de 1925.
Tenho a certeza de que nada acontece por acaso. O Batalhão foi instalado numa antiga fábrica de meias da firma Eduardo Horn, na Rua Major Costa, onde hoje funciona o Hospital da Polícia Militar. E foi numa das festas promovidas nesse Batalhão que Lara Ribas conheceu Dona Carmélia, com quem casou em 1927 e conviveu por quase sessenta anos. Foram padrinhos o Coronel Lopes Vieira e Dona Ziloca.
O final da revolução de 30, quando Santa Catarina permaneceu a favor da legalidade, encontrou o Tenente Lara Ribas em uma trincheira cavada nos altos da Rua Felipe Schmidt, "uma posição defensiva nos terrenos do antigo cemitério público, numa elevação desmontada na década de 60 para aterro da Avenida Beira Mar Norte", como se expressa o Dr. Edmundo. Guardando a cabeceira da Ponte Hercílio Luz, no comando de uma Seção de Metralhadoras Pesadas, fiel à missão que lhe fora destinada. No 25 de outubro, seu aniversário, o último e violento tiroteio.
Na revolução constitucionalista de 1932, de novo legalista, estava pronto para seguir com a tropa para São Paulo, quando recebeu ordem do Capitão Santos para ficar. O interventor federal o designara para organizar e comandar, em Joaçaba, o 3º Batalhão de Caçadores da Reserva, fortalecendo a região contra os revolucionários. Um episódio marcante, que ele mesmo retrata em uma de suas obras, serve para mostrar sua capacidade de comando e liderança. Preso que fora, traiçoeiramente, pelos rebeldes, pode aplicar um contragolpe vitorioso, embasado na confiança e credibilidade que a tropa lhe dedicava e, por isso, permaneceu a seu lado.
Foi o primeiro colocado no Curso de Formação de Oficiais, em 1928 e no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, realizado no Distrito Federal, em 1937.
Durante a 2ª Guerra Mundial, foi Delegado da Ordem Política e Social, por escolha pessoal de Nereu Ramos, para execução de medidas restritivas determinadas pelo Governo Federal em relação aos súditos do Eixo e desmantelamento de rede de espionagem no sul do Brasil. Publica, em 1943, o livro "O PUNHAL NAZISTA NO CORAÇÃO DO BRASIL”. Parcimônia e justiça foram as suas regras, diferenciando a população estrangeira, honesta e leal, dos seguidores do regime totalitário hitlerista. O DOPS funcionava na antiga Escola Alemã da Rua Nereu Ramos.
Assume o Comando Geral da Corporação em dezembro de 1949 e, no ano seguinte, a convite do Governador Aderbal Ramos da Silva, seu amigo de longa data, a Secretaria de Segurança Pública.
Em 1951 transfere se para a reserva, considerando sua missão cumprida.
Em 1954, Celso Ramos, na presidência da Federação das Indústrias de Santa Catarina o indica para a Direção da Divisão Administrativa do Departamento Nacional do SESI.
É convocado a assumir o Comando Geral da Polícia Militar catarinense pela 2ª vez, no governo de Celso Ramos, em 1961. Neste cargo, proporcionou a recuperação, a reorganização e o desenvolvimento da Corporação, que passou por radical transformação.
Inúmeras as realizações. Tantas e tão importantes. A desvinculação da Secretaria de Segurança Pública, a ênfase no policiamento ostensivo, os salva vidas, a rádio patrulha, a polícia florestal, a reativação do Curso de Formação de Oficiais, o Gabinete Psicotécnico, para seleção de pessoal, o setor de rádio comunicações, a articulação em batalhões no interior do Estado, o Museu, etc.
A criação e instalação do Hospital da Polícia Militar, que hoje toma seu nome, em justa homenagem foi acontecimento decisivo. Diz seu biógrafo que o Comandante estava acometido de uma "obstinação, beirando a teimosia" para obter o aval do governador para o projeto afinal executado.
Quem conhece a Polícia Militar sabe que são, hoje, objetivos permanentes.
Para os senhores basta lhes dizer que foi uma antevisão da realidade hoje vivenciada.
Deixa o Comando em janeiro de 1964 e retorna ao SESI, para assumir novas funções, até a Superintendência Nacional, ratificando sua performance de excepcional administrador”.
O falecido irmão e Coronel IB Silva, meu mestre na Academia de Polícia Militar, quando do meu ingresso no Curso de Formação de Oficiais, quando saudou o Acadêmico Antônio de Lara Ribas, no dia 16 de novembro de 1994, numa Sessão da Academia Maçônica de Letras, assim se referiu ao falar sobre o saudoso Cmt Lara Ribas.
“Quero dizer que me é muito prazeroso homenagear o acadêmico Antônio de Lara Ribas, in memoriam.
Saudade dele? É claro que ainda temos.
Queríamos que ele estivesse aqui. Mas não há como contrariar a ordem natural da vida.
Foi fundador do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, da Associação Atlética Barriga Verde, do Clube de Caça e Tiro Couto Magalhães, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Presidente do Clube XII de agosto. Membro fundador e titular da cadeira n.º 1 da Academia Catarinense Maçônica de Letras, escolhendo como patrono outro de seus ilustres Comandantes, o Coronel Cantídio Quintino Régis, baluarte também da gloriosa Corporação miliciana barriga verde.
Iniciado na Loja Maçônica Regeneração Catarinense em 1933, foi elevado ao grau 18 em 1936, ao grau 30 em 1953 e ao grau 33 em 31 de agosto de 1974. Venerável da Loja Mãe da Maçonaria catarinense de 1951 a 54, por 4 mandatos. Nos Corpos Filosóficos, foi Aterzata do Sublime Capítulo Regeneração Catarinense e Presidente do Poderoso Consistório de Príncipes do Real Segredo.
Em 1951, quando da instalação do Grande Oriente de Santa Catarina, foi Deputado Constituinte, pela Loja União III Luz e Trabalho, de Porto União, junto a João Batista da Costa Pereira, Grão Mestre Adjunto, Elpídio Barbosa, Walter Lang, José Américo Dias Barreto, Manoel Galdino Vieira, Jaime Pigosi e Renato Ramos da Silva.
Praticamente retirou se da vida pública em 1971, retornando a Florianópolis.
Confesso que é de admirar como ele conseguiu realizar tanto em tão pouco tempo. Dos quase noventa anos bem vividos. Foi para o Oriente Eterno em 10 de junho de 1992.
Um poeta brasileiro escreveu: "Não cora o sabre de ombrear com o livro, nem cora o livro de chamá lo irmão".
Parece que disse isto de Lara Ribas. Ao policial militar talhado nas lides das lutas e guerras, na atividade diuturna de segurança, afeto às armas, não faltava a sensibilidade e a vasta cultura. O guerreiro e o poeta. A disciplina castrense e a intelectualidade, não excludentes. A pureza da alma para pesquisar as "Orquídeas Catarinenses", publicado em 1943 e reeditado em 1986. A espiritualidade para escrever uma oração ao início de cada um de nossos trabalhos.
A casa na Rua Anita Garibaldi, o apartamento na Avenida Beira Mar Norte, cujo edifício hoje leva seu nome, ou o sítio em Cacupé eram buscados permanentemente por muitos, ávidos por um conselho, uma palavra de orientação, uma curiosidade, uma pesquisa. " À sua porta jamais cresceu o capim".
Foi a característica que mais me marcou. Era um sábio. Não daqueles de missão salvacionista. Um sábio mesmo. Não se insinuava. Estava sempre lá. E falava o suficiente. Nada mais nem menos. E espargia, onde chegava, uma luminosidade intensa. Também não se insinuava. Apenas chegava. Uma ilimitada ideia de transcendência.
Tristezas não. Alegria e orgulho de ter vivido um pedaço de sua época.
Morreu? Não. Apenas se esvaiu.
Saudade por ele não estar aqui? Quem disse que ele não está?”.
Ainda sobre Antônio de Lara Ribas, nosso primeiro Venerável Mestre e primeiro Presidente da Academia Maçônica de Letras, o saudoso irmão Júlio Doin Vieira, assim se referiu, em trecho de uma carta endereçada a seu filho, o Sapientíssimo Irmão João Batista Ramos Ribas e familiares, no dia 15 de junho de 1992.
“Conheci seu pai no dia 31 de julho de 1953, quando pela vez primeira adentrei as portas de nossa Regeneração Catarinense ao ser iniciado sob seu malhete. No decorrer de todos estes anos sempre mantivemos uma bela e real amizade. Muitas vezes, sentei-me ao seu lado, durante as reuniões do Consistório. Não sou aquele quem vai dizer a você quem foi seu pai: Você sabe disto melhor do que eu. Sua vida foi pautada pelo mais alto gabarito que um homem almeja. Ele foi, sem dúvida, um modelo padrão para todos os homens que desejam ser mais nesta vida”.
O Coronel da Reserva Remunerada Carlos Alberto Araújo Gomes, diplomado pela Escola Superior de Guerra – ESG, em artigo publicado no Jornal O Estado, no dia 23 de junho de 1992, assim se referiu ao saudar o Cmt Lara Ribas, em razão do seu falecimento.
Adeus a Lara Ribas
Como teu discípulo e teu amigo, quero manifestar, ainda com a tristeza da tua partida, a gratidão e já a saudade. Estás por certo na companhia do Pai. Ouve-me. O que tenho a dizer-te é ainda uma última homenagem. Simples, triste e sincera. Vou falar da tua vida, espelho onde os jovens podem ver refletido um caminho de luz.
Soldado por vocação, combateste como um bravo, mas tiveste o cuidado de aprontar-te para o desempenho de outras missões e foste um lutador intemerato na defesa dos pleitos que deram distinção ao teu caráter de homem idealista.
Fizeste da Polícia Militar tua companheira, e ela te foi bússola. Por onde andaste, lá estivesse como miliciano.
O ser policial militar foi para ti a expressão da tua vida. Contudo, os caminhos que percorreste e nos projetos que incentivaste, como delegado, comandante geral, dirigente do serviço social da indústria, historiógrafo e cidadão do teu tempo, por tudo, não foram apenas os galões e medalhas que te distinguiram, mas tua vida, que se prolonga em exemplos dignos e honrados.
Como disse o poeta, o homem não fez o tempo e neste oceano somos levados para a margem da noite eterna em que nos seja possível jogar âncora um só dia. Mas é humana a equação da vida e a nós mesmos é dado o direito divino de traçar a nossa rota. Tu a traçaste com confiança e otimismo. Escolheste a verdade e a coragem, e assim navegaste. Por certo foste tentado pelo desânimo, mas seguiste em frente. Em ti fui buscar a demonstração da verdade das reflexões, que um dia escutei de um velho marinheiro, que a vida é como uma carta náutica para o navegante decidido na profissão de sua fé, que sabe assinalar o rumo e manter a rota, e a cada dia conferindo com altura do sol, que renova suas crenças, ou à noite demarcando com as estrelas, que lhe falam dos sonhos e ideais, navegando no temporal dos embates da vida, mas guardando a serenidade de quem navega, com mar tranquilo, o silêncio de águas oceânicas.
E de ti, mestre e amigo, que retiro à lição de que não há tempestade que não esmoreça, nem vento, por maior que seja a fúria, que não venha amainar. O que importa é fazer o melhor como nas palavras sagradas há um tempo de plantar e um tempo de colher. Porque assim foi tua vida. Em 1924, adolescente, atendeste ao chamado das armas, alistando-te no Batalhão da Força Pública Catarinense, que passava pela tua terra natal. Foste atrás de um ideal que nunca traíste. Em 1930, já como oficial davas demonstração de maior lealdade, quando resististe na trincheira até a voz de cessar fogo e fostes dos últimos a depor armas, permanecendo ao lado do teu comandante, diante das imprevisíveis consequências da derrota. Em 1932, couberam-te demonstrações de coragem quando, em plena revolução, no comando de um dos batalhões e caindo prisioneiro, empreendeste uma arriscada ação de fuga, voltando a tua tropa.
Como comandante geral, sobretudo no segundo período, no início dos anos 60, quando realizaste a maior obra de tua carreira policial militar, desmobilizando a Corporação como força de combate para a criação de uma consciência policial ditada pelos novos tempos. Substituíste batalhões treinados para a guerra por unidades de radiopatrulhamento e de trânsito. Mudastes currículos para privilegiar uma formação em polícia no lugar da exclusiva formação militar e, sobretudo, conduziste a Corporação às funções de policiamento.
Enfrentaste resistências, tiveste que quebrar preconceitos e conviver com atitudes hostis. Firmado no propósito de bem servir à Corporação e ao Estado, não te omitiste nem te escusaste de fazer as mudanças que eram imperativas. A Polícia Militar, entre tantas coisas, te deve esta renovação de ideias e esse novo rumo.
Hoje, quando teus dias já se dissiparam no crepúsculo da existência terrena, peço-te que o vislumbre dos teus sonhos ainda nos guie, que a tua lembrança nos sirva de esperança, que a melodia do clarim nos quartéis, os tambores pulsando em desfile, os pavilhões ao vento, a continência da tropa perfilada, as sirenes das ocorrências, a alegria do retorno de cada missão bem-sucedida, e tudo o mais que faça lembrar a Polícia Militar, tragam-nos sempre tua memória e com elas as lições que sempre de forma tão sagradas de honra e dever.
Ainda uma vez mais, obrigado, Cel Lara Ribas”.
Caros irmãos, insignes autoridades maçônicas presentes, nossos convidados especiais, muito mais se poderia falar de Antônio de Lara Ribas, o nosso Cmt Lara Ribas, Patrono da nossa querida Loja Cmt Lara Ribas, número 3055.
O que mais deve permanecer, principalmente aos obreiros da Loja Cmt Lara Ribas, é o caminho a ser trilhado, o exemplo a ser seguido, para quem conheceu Antônio de Lara Ribas, ou para aqueles que não o conheceram, tiveram pelo menos a oportunidade de ler e conhecer o que foi escrito deste insigne Mestre, da sua correção, do seu compromisso, do seu legado para a posteridade, do exemplo na vida profana, na vida militar, na vida maçônica, de pai, de marido, de amigo e de irmão maçom, que com sua conduta e seus conselhos, orientou o caminho de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e escutaram um pouco do que aconteceu em sua vida terrena.
Finalizando minhas palavras gostaria de mais uma vez agradecer a presença de todos.
Faço um agradecimento especial aos irmãos Walmor Backes, Edy Genovez Luft, e Márvio Luis Pereira, o primeiro Cel RR da PMSC, Cmt Geral da Corporação e Grão Mestre Honorário do GOB-SC e o segundo Mestre Instalado da nossa Loja Mãe Regeneração Catarinense, Engenheiro e Professor da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, o terceiro funcionário de carreira da Secretaria da Fazenda, exemplos de vida profissional e maçônica para todos nós, nossos eternos mestres.
Agradeço ao ilustre irmão Paulo Roberto Pinto, Presidente da Academia Maçônica de Letras, dirigente nesta noite, dos trabalhos desta Sessão Magna Pública, onde a partir desta data, estou tendo a honra de fazer parte da insigne Academia Catarinense Maçônica de Letras.
Agradeço ao nosso Venerável Mestre, irmão José Norberto de Souza Filho, sua administração e a todos os obreiros da Loja Cmt Lara Ribas, por oportunizarem a realização destes trabalhos, em data calendário da nossa Loja Cmt Lara Ribas.
Agradeço a todos irmãos maçons, nossas cunhadas e sobrinhos, presentes nestes atos.
Agradeço ao meu irmão biológico Roberto Rodrigues de Menezes, ex-Presidente da Academia de Letras dos Militares Estaduais de Santa Catarina, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e ocupante da Cadeira 17 da Academia Catarinense de Letras, cujo Patrono é Jerônimo Francisco Coelho, também Patrono da Maçonaria Catarinense, pelo incentivo na realização do Livro “A vida maçônica do Cmt Lara Ribas e os 25 anos da Loja Maçônica Cmt Lara Ribas”.
Agradeço a minha mãe Ione Rodrigues de Menezes, que mesmo no auge dos seus 97 anos, atravessou os umbrais da nossa Loja Mãe Regeneração Catarinense, pela primeira vez, no dia 06 de maio de 2024, para proferir nesta Loja, durante quarenta minutos, uma palestra sobre São Francisco de Assis, a Ordem das Clarissas e a Ordem Franciscana Secular.
Agradeço ainda a minha esposa Letícia Silva de Menezes, aos meus filhos Fernando Rodrigues de Menezes Júnior, Roberta Silva de Menezes Berben, ao meu Genro Luciano dos Santos Berben e aos meus queridos netos Marco Antônio Menezes Berben; Davi Fernando Neves de Menezes; Laura Menezes Berben e Daniel Fernando Neves de Menezes, pela compreensão nos momentos de afastamento para os trabalhos da Loja. A todos os meus sinceros votos de agradecimentos.
Finalizando, agradeço ao Grande Arquiteto do Universo, por ter me possibilitado entrar na “Arte Real” convivendo harmoniosamente com os meus Irmãos Maçons, pela oportunidade e força na realização e conclusão do Livro, em Homenagem ao nosso Patrono Cmt Lara Ribas e à nossa querida Loja Cmt Lara Ribas, que com certeza através dele, me foi oportunizado ingressar nesta noite, na Academia Maçônica de Letras.
Muito obrigado a todos.
